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BrickCap, tampinha que vira brinquedo de montar

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BrickCap, tampinha que vira brinquedo de montar

Postado em 04 fevereiro 2013 por Elisa Quartim

Tampinha que vira brinquedo de montar

BrickCap, tampinha que vira brinquedo de montar

 

As embalagens sempre foram ótimas para serem transformadas em brinquedos pelas crianças. Com a imaginação elas são transformadas, e se incorporam ao imaginário das crianças e prolongam o seu ciclo de vida.

A empresa fabricante de embalagens flexíveis Gualapack criou uma tampa que facilita a brincadeira. É a BrickCap, que além de dar segurança e inviolabilidade para produtos alimentícios, ela tem uma segunda função de ser transformada em brinquedo.

O design da tampa permite que ela encaixe em outra tampa podendo ser montada de várias formas, podendo ser constantemente remontada.

Vejam o video do produto abaixo:

 

 

Fonte:

http://www.packagingdigest.com/article/522820-BrickCap_A_packaging_closure_with_a_second_life.php

www.gualapack.com/en

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Rakafuki  – Embalagem de lâmpada LED promove economia de energia

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Rakafuki – Embalagem de lâmpada LED promove economia de energia

Postado em 28 setembro 2012 por Elisa Quartim

O projeto Rakafuki Friends é uma experiência de usar o design divertido de ajudar as crianças e adultos se engajar com o conceito abstrato de eficiência energética. Cada Rakafuki Friend é uma lâmpada LED super-eficiente, vestida como um porco, frango ou canguru.

Brian Dougherty, um dos fundadores da Celery Design Collaborative, teve a ideia do projeto como uma forma de arrecadar dinheiro para a escola que sua filha frequenta, a Rosa Parks Elementary. A filha de Dougherty, que é uma aluna da terceira série, veio com o nome e até escreveu uma música tema para o Rakafuki Friends.

Vários designers da Celery Design colaboraram para fazer o projeto acontecer, projetaram tudo, desde os protótipos embalagens, logotipo e até o site.

Como funciona

  1. Cada animal contém uma lâmpada LED eficiente .
  2. Substitua a lâmpada incandescente velha, e economize energia.
  3. Economize dinheiro ao longo da longa vida útil da lâmpada.
  4. Dê uma segunda vida para sua lâmpada velha após o seu uso, é só colocá-la na embalagem.*

* Isso foi a única coisa que não achei bem resolvido. Acho muito perigoso dar uma lâmpada de vidro para uma criança brincar. A cabeça do animal depende da lâmpada para ficar presa. O ideal seria uma embalagem que ficasse ainda com o formato de bicho, mesmo sem a lâmpada.

 

 

Dentro da embalagem está uma lâmpada Pharox LED, feita por Lemins Lighting, um dos clientes da Celery Design, onde já falamos de outro projetos deles aqui. As lâmpadas podem durar até 35 vezes mais que uma lâmpada incandescente e 8 vezes mais que uma lâmpada CFL e utiliza apenas 8 watts de eletricidade.

100% dos lucros das vendas do Rakafuki Friends vai para Rosa Parks Elementary. O objetivo do projeto é arrecadar $10,000. Para isso, todas as partes envolvidas estão doando seu tempo e fornecimento de materiais a preço de custo ou abaixo do custo real. A New Leaf Paper também doou 100% dos papéis reciclados, de pós-consumo, utilizadas para a embalagem.

As pessoas envolvidas no projeto esperam que as crianças possam inspirar os pais a mudar seus hábitos de compra, assim, as famílias vão começar a poupar energia e dinheiro. Os Rakafuki Friends promovem a eficiência energética, enfatizando alegria e imaginação, em vez do medo. Ação comum nas escolas que educam as crianças pelo medo da falta de recursos naturais no futuro.

Uma coisa que este projeto nos faz relfletir é a necessidade de tornar os produtos responsáveis mais desejáveis. O comportamento do consumidor é uma coisa estranha, grande parte é impulsionada pelo desejo. Argumentos racionais nem sempre funcionam.

Brian Dougherty  mostrou este projeto no Brasil na Conferência Design para Vida – 2012, em Salvador, e em São Paulo na FAU USP. Ele também veio para divulgar o seu livro “Design Gráfico Sustentável” que já falei aqui no blog.

 

Fonte:

http://rakafuki.com/

http://www.celerydesign.com/

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Sendbag, embalagem para serviço postal que vira sacola

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Sendbag, embalagem para serviço postal que vira sacola

Postado em 10 julho 2012 por Elisa Quartim


Sendbag é uma ótima ideia de embalagem para envio de produtos pelo correio. Além de possibilitar a impressão de imagens ela é reutilizável virando um saco de papel. O papelão ondulado dentro Sendbag, pode também ser usado como um cabide de roupa. Feita de material 100% reciclado.

Sendbag também pode ser personalizada, permitindo imprimir uma ilustração personalizada,  podendo ser usada para publicidade.  Pode ser também uma embalagem ideal para a sua loja virtual ou até mesmo uma embalagem de presente para seus parentes e amigos que moram longe.

 

 

Para usá-la é só inserir os produtos que você deseja enviar na Sendbag, cole a tampa, anote o endereço do destinatário, e despachar no correio. O design é da Multipack Sentra Perkasa

Não dá vontade de jogar fora!

 

Fonte: http://www.thedieline.com/blog/2012/7/9/sendbag.html

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KeepCup, copo de café reutilizável para viagem

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KeepCup, copo de café reutilizável para viagem

Postado em 08 maio 2012 por Elisa Quartim

KeepCup é um copo de café que se assemelha a um copo descartável, mas totalmente reutilizável e com design inovador. Concebido em 2009 pelos irmãos Jamie e Abigail Forsyth como uma solução para os problemas dos resíduos causados ​​pelo grande número de copos descartáveis ​​jogados fora em todo o mundo.

O KeepCup se assemelha ao design tradicional do copo descartável usado em vários países, na aparência e aplicação, mas é completamente reciclável, personalizável e pode ser usado repetidas vezes. É capaz de manter seu conteúdo quente por pelo menos meia hora.

Quatro elementos compõem sua construção modular – o copo é fabricado a partir de polipropileno. O polietileno, silicone e poliuretano termoplástico são usados ​​para a tampa, a faixa térmica e fecho, respectivamente. Os quatro elementos são fornecidos em uma grande variedade de cores, permitindo que os consumidores escolham o arranjo que mais gosta.

Estima-se que pelo menos 500 milhões de copos descartáveis ​​são usados ​​e descartados a cada ano na Austrália. Um grande número de adultos em comunidades urbanas consomem um café em copo descartável. A National Coffee Association of America revelou que em 2007, 14% dos adultos nos Estados Unidos bebeu café gourmet por dia. Apesar de copos descartáveis terem uma porcentagem baixa, os impactos do kit de café delivery e descartável parecia um problema que não justificava a conveniência. Alguns tentaram usar o copo com plástico Pós-Consumo reciclado (PCR) ou vender produtos reutilizáveis, como ‘canecas’ projetado para manter o café quente por horas. O primeiro tem problemas com regulamentos de alimentos, este último é pesado e pouco prático para o consumidor de café “on-the-go”, e não foi projetado para atender às necessidades de baristas de qualidade.

O resultado é um design leve, fácil de usar, que usa uma quantidade limitada de energia na fase de fabricação. Esta facilidade de utilização é percebida no seu uso e na manutenção, uma vez que o KeepCup pode ser usado no microondas, lava-louças e é compatível com a maioria dos porta-copos de carro e bicicleta.

Vejam o video do KeepCup:

 

Avaliação do Ciclo de Vida do KeepCup

Para o desenvolvimento do produto, foi feito uma pesquisa no RMIT Centre for Design da Austrália. Copos de papel descartáveis ​​(combinado com um filme PE) têm pouco valor no mercado da reciclagem e geralmente acabam em aterros sanitários. Embora o KeepCup promove reciclagem, mesmo que permaneça por mais tempo no mesmo sistema o provável é que ele será descartado no aterro sanitário, mesmo que o consumidor separe os seus materiais. Com isto em mente, o estudo foi feito comparando o copo de KeepCup de 8 oz (ele está disponível em vários tamanhos) contra um copo de papel descartável usando a Análise do Ciclo de Vida (ACV) de forma simplificada. A unidade funcional foi tirar 1 café por dia entregue ao consumidor ao longo de um ano, até que ele fosse descartado no aterro sanitário ou até o final do período da pesquisa.

Os dados utilizados sobre a matéria-prima, fabricação, transporte e fim da vida útil foram do Inventário Australiano Ciclo de Vida (LCI) 2009 e a base de dados européia Ecoinvent 2.0. Rotas de transporte regionais foram considerados (transporte da Ásia para o copo descartável, tampa e do anel da KeepCup, caminhões do porto ao consumidor), bem como embalagens terciárias, e um ciclo de lavagem, por uso para o KeepCup, que vão desde uma rápida enxaguada com água morna, uma máquina de lavar louça totalmente carregada, com metade da máquina carregada, e lavagem na pia, os três últimos com detergente.

Foi também modelado o cultivo de café, produção e fabricação na Espanha a partir de um estudo para fora da Suíça (Humbert, Loerincik et al. 2009) para ver o que o KeepCup tinha em contexto para o “produto total”, ou uma dose de 100 ml de café, entregues ao consumidor (assumiram que os grãos de café não foram depositados em aterro).

Os resultados foram determinados usando o LCA Australian Impact Method.. O KeepCup em comparação com o copo de papel descartável (não incluindo o café), dependendo do tipo de lavagem (da pia vendo o menor através de enxágüe rápido vendo as maiores reduções de impacto ambiental), vê uma redução de 71-92% em potencial de aquecimento global, uma 71-95% de redução na utilização de água, e uma redução 95-96%  de resíduos em aterros ao longo do ano.

Embora o consumidor ainda possa comprar a embalagem para viagem em uma opção descartável ou reutilizável, é interessante ver as economias anteriormente declarados comparadas quando incluído os impactos relacionados ao café, que, em geral, dilui as economias do recipiente sobre a sua própria.

O KeepCup em comparação com copo de papel descartável (incluindo café) vê uma redução de 36-47% do aquecimento global, uma redução de 64-85% no uso da água, e uma redução de 91-92% em aterro de resíduos por ano.

A estética do KeepCup é clean, funcionalmente e cuidadosamente projetado, com o apelo global. Embora seja provável que KeepCup não seja reciclado no contexto australiano, a mudança de descartável para reutilizável acrescenta credibilidade ambiental, reduz significativamente o desperdício, aumento da economia, e permite uma mudança social, uma mudança bem-vinda para uma sociedade acostumada com a cultura do descartável.

Desde o seu lançamento, não menos do que 800.000 árvores foram preservadas, quando comparado com o de papel. Da mesma forma, 26.000 toneladas de resíduos compostos de copos descartáveis, foram evitados e cerca de dois bilhões de copos foram impedidos de ir para aterros sanitários.

 

Fonte:

http://www.keepcup.com/

http://www.core77.com/blog/

 

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Coleção AGUUU de móveis feito com caixa de papelão.

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Coleção AGUUU de móveis feito com caixa de papelão.

Postado em 13 março 2012 por Elisa Quartim

O designer de produtos Ronaldo Edson da Silva (Rona) confecciona móveis utilizando papelão ondulado de caixas descartadas. Essa é a coleção AGUUU composta de mobiliário, luminárias e objetos.

Banco Cabelo

 

 

Confeccionados com matéria-prima proveniente do lixo do prédio onde Rona mora, como as caixas de papelão. Os tecidos são coletados em ateliês ou adquiridos em lojas populares do centro da cidade de Maceió.

A inspiração para fazer a linha de móveis são as festas populares nordestinas, o estilista japonês Kenzo Takada e a teoria do caos.

 

Cadeira Enxerida

 

Seguem o conceito “do it yourself!” (faça você mesmo!). O processo utilizado para a confecção dos produtos foi o corte, dobra, cola e encaixe, podendo ser produzido de forma manual, semi-industrial e/ou industrial. Ele difunde as técnicas e pensa que as caixas de papelão já deveriam sair da fábrica com desenhos de molde no verso para que qualquer um, que adquirisse um eletrodoméstico, transforme a caixa em um novo produto.

Sistema Sanfonado

 

 

Vejam mais no site dele:

http://carapana.wordpress.com/2009/07/09/colecao-aguuu/

Foi um dos selecionados para a Bienal de Design de 2010

http://www.bienalbrasileiradedesign.com.br/bienal2010/?p=55

 

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Madeira plástica feita com embalagens

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Madeira plástica feita com embalagens

Postado em 23 fevereiro 2012 por Elisa Quartim

A madeira plástica (wood plastic composite – WPC) é proveniente da reciclagem do PE e outros resíduos vegetais, animais, minerais e industriais. Esses resíduos garantem a consistência e a aparência da madeira natural. Além disso é reciclável, a serragem que sobra do corte pode virar madeira novamente. Em geral utiliza embalagens de PEAD, que tem um valor baixo no mercado de reciclagem e acabam sendo indo para os aterros.

No IMA (Instituto de Macromoléculas) da UFRJ, desenvolveu a IMAWOOD onde também recicla as sacolinhas plásticas em uma pareceria com os catadores de Gramacho. Para cada 700kg de Madeira 1 (uma) árvore grande adulta é preservada. E a cada 700kg de madeira plastica 180 mil sacolas plasticas saem da natureza (números aproximados)

Com o aumento drástico de lixo nos aterros sanitários, a madeira plástica – ou sintética, se torna uma boa solução e é uma forma de valorizar esse material no mercado da reciclagem.

 

Uso e aplicações

As madeiras plásticas tem aparência rústica e pode ter vários tons de cores. Reproduzem as espécies naturais como tabaco, pau-brasil e outras. Com boa resistência à umidade, a madeira de plástico é indicada para construções ao ar livre, como bancos de praça, decks, marinas.

 

Banco de praça

Deck piscina

 

Outra possível aplicação da madeira plástica é em tampas de bueiro, frequentemente furtadas devido ao preço elevado do ferro.

Tamba bueiro

Por serem resistentes também são usadas como pallets de madeira e dormentes para a linha ferroviária.

 

Pallets

Dormentes

Os custos para manutenção são reduzidos. Fácil de limpar, basta  água e sabão, por isso acaba sendo a prova de pichadores. Dispensa o uso de lixas e vernizes. Pode ser pintada, colada, pregada, aparafusada, encerada e manuseada com os equipamentos – de alto giro, da madeira natural.

 

 

Processo de fabricação

O processo de fabricação dos mobiliário verde tem início com a separação dos vários tipos de resíduo plástico que posteriormente é moído, lavado e seco.

Depois de derretido, moldado e resfriado, o material já está pronto para o uso. Diferentes tipos de madeira plástica podem sem fabricados a partir desse mesmo processo, inclusive com tonalidades próximas às de madeira natural, dependendo apenas da utilização que se dará a cada produto.

Além de poder se novamente reciclada, outra vantagem da madeira plástica é sua durabilidade que pode chegar a 5 décadas.

 

Vejam o vídeo do do Programa Cidade e Soluções falando sobre a Madeira Plástica

Alguns fabricantes nacionais de madeira plástica

http://www.polyrio.com.br/

http://www.ecowoodrio.com.br/

http://deutschsul.com.br/

http://www.madeiraplastica.allpex.com.br/

http://www.madeplast.com.br/

http://www.wisewood.com.br/

http://www.reciplast.org

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Lemnis Lighting – embalagem e cúpula de abajur.

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Lemnis Lighting – embalagem e cúpula de abajur.

Postado em 02 fevereiro 2012 por Elisa Quartim

A empresa holandesa Lemnis Lighting, fabricante de lâmpadas de última geração, desenvolveu junto com a Celery Design uma embalagem que comunicasse os diferenciais de sustentabilidade da lâmpada mais econômica.

As lâmpadas consomem 90% a menos de energia comparadas às lâmpadas incandescentes e quase a metade de energia, quando comparadas às lâmpadas fluorescentes (CFL). Além disso, elas duram 35 anos (8 vezes mais que a fluorescentes) e não contém mercúrio tóxico. É um produto mais caro (25 dólares), mas a longo prazo, cada lâmpada representa a economia de cerca de 250 dólares para o usuário.

O projeto foi feito com um processo de design holístico e a exploração abrangente da marca. Foi pensado na pré-produção e na pós-produção.

Um produto com esse preço não deveria ser apresentado da mesma forma que uma lâmpada de um dólar. A uma tecnologia melhor e a experiência do usuário deveria refletir isso. Portanto, em vez de cores berrantes e elementos que pertubam, a embalagem Lemnis é limpa e delicada, com bastante espaço vazio e imagens repousantes.

O formato escolhido foi uma pirâmide truncada, que se destaca nas prateleiras e acomoda firmemente a lâmpada em seu interior. O formato é uma referência ao nome da lâmpada que é Pharoz, em homenagem ao farl que foi uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo.

Ela também se encaixa confortavelmente nos contêineres de embarque, o que faz dela uma solução boa de “design para a distribuição”.

O papel é 100% reciclado pós-consumo. E o formato foi estudado para caber seis caixas em uma folha de impressão.

A caixa também é dobrada e fechada sem uso de adesivo, o que facilita a reciclagem.

Foi imaginado todos os destinos possíveis para a embalagem e chegaram a conclusão de que o melhor destino possível seria manter a embalagem perto da lâmpada para qual ela foi feita. Dessa forma, foi projetada para que o consumidor pudesse desdobrá-la, virá-la ao contrário e usá-la como cúpula de abajur.

A caixa-pirâmide é mais cara que uma caixa retangular padrão usada para lâmpadas incandescentes ou as embalagens blister usadas para as fluerescentes compactas, apesar do aproveitamento de papel. Mas ela não é mais cara por ter seu preço embutido como uma porcentagem no custo da lâmpada e oferece um verdadeiro diferenciaç no mercado e um valor duradouro da marca.

O processo de design mudou a forma como a Lemnis concebia as embalagens. Em vez de ser um item de custo e uma superfície para mensagens, a embalagem se tornou uma fonte de valor e um verdadeiro diferencial da marca.

Um bom presente, uma história legal e uma experiência de marca profundamente diferente para essa nova tecnologia.

Fontes:

http://celerydesign.com/our-work/packaging/lemnis-lighting

DOUGHERTY, Brian. Design gráfico sustentável. São Paulo: Edições Rosari, 2011. pgs.151-153. ISBN 978-85-8050-003-5

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Acabaram as sacolinhas. E agora?

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Acabaram as sacolinhas. E agora?

Postado em 31 janeiro 2012 por Elisa Quartim

Desde o dia 25 de janeiro as grandes redes de supermercado pararam de distribuir sacolinhas na boca do caixa. O site Embalagem Sustentável sempre foi a favor da livre escolha e acreditávamos que aos poucos todos perceberiam o impacto individual de cada sacola.  Acreditamos que o incentivo seria o melhor caminho, dando o desconto do valor embutido nas compras do custo das sacolas.
Infelizmente a mudança não ocorreu na velocidade e na maneira esperada e acabaram fazendo um acordo pelo fim da distribuição das sacolas na boca do caixa, sem dar outras opções gratuitas.

O objetivo principal é a não geração de resíduos em excesso. Os grupos envolvidos na ação chegaram à conclusão (que infelizmente eu concordo) que muitas pessoas só mudam quando começam a sentir no bolso. Escolheram o caminho mais radical.
Agora terão que pagar para levar suas compras para casa e poder descartar o seu lixo apropriadamente. Pagando vão aproveitar melhor cada saco e valorizá-los.

Muitas pessoas já tinham mudado seus hábitos e quase não sentiram a mudança, mas quem ainda não tinha feito isso sentiu um grande impacto. Isso tem gerado muita revolta e dúvida em o que fazer agora sem as sacolinhas. Algumas dúvidas que surgiram nesses primeiros dias de mudança:

Por que não substituir por sacolas de papel?

Como já foi falado, o objetivo principal não é acabar com o plástico e sim diminuir o descarte excessivo e inadequado de sacolas, independente do material.

O papel não é necessariamente mais sustentável que o plástico. Depende se ele foi feito com manejo sustentável, se é certificado, como as pessoas usam, local de fabricação e distribuição. Para dar uma resposta exata só fazendo uma Análise do Ciclo de Vida (ACV). (Se alguém souber de algum estudo sério indiquem).

Mas a sacola de papel tem alguns detalhes que é importante salientar:

  • O papel é mais pesado e volumoso.
    Se for analisar todo o ciclo de vida, acaba emitindo mais gases de do efeito estufa. Precisa de mais caminhões para transportar a mesma quantidade que seria da sacolinha de plástica.
  • O aumento de consumo de papel aumentaria o corte de árvores.
    Apesar de no Brasil o papel é feito com árvores plantadas especialmente para a fabricação de papel, essas áreas teriam que ser ampliadas e haveria a possibilidade de se buscar áreas “não exploradas”.
  • A sacola de papel é menos eficiente.
    Com produtos molhados ou com o peso muito grande, as sacolas rasgam facilmente.
  • São biodegradáveis.
    Mas em aterros mal projetados, elas podem demorar o mesmo tempo para se decompor.

Eu faço grandes compras mensais. Não cabe tudo na minha sacola retornável. O que faço agora?

Se você vai de carro, pode levar várias sacolas reutilizáveis, caixas reutilizáveis ou pedir uma caixa de papel no supermercado.
Eu pessoalmente prefiro usar várias sacolas grandes reutilizáveis. São até mais fáceis de carregar do que várias sacolinhas plásticas que acabavam cortando a mão com o peso. As caixas reutilizáveis são boas opções, mas se a compra é grande corremos o risco de colocar mais coisas que conseguimos carregar.

E como vou descartar o meu lixo em casa agora?

A sacolinhas nunca foram uma boa opção para descartar lixo. Só eram boas porque eram “gratuitas”. Alguns motivos que a sacolinha não é boa para descartar o lixo.

  • São em sua maioria feitas com resina virgem.
    Um desperdício de material que era utilizado apenas um vez e descartado muito rapidamente.
  • São impressas com tintas que podem fazer mal ao meio ambiente.
    Em geral as tintas contém metais pesados que acabam indo para os lençóis freáticos e impactando o meio ambiente.
  • São frágeis.
    Por serem “gratuitas”, muitos supermercados economizavam na sacola e elas rasgavam muito facilmente, obrigando com que cada pessoa pegasse duas sacolas ao invés de uma.
  • Os animais marinhos confundiam com alimento e acabavam morrendo.
    Seja por descaso ou por seu material ser leve, acabavam caindo nos oceanos e impactando esse meio ambiente.

E o cocô do meu cachorro?

Muitos estão falando que haverá um aumento no volume de cocô de animais de estimação nas ruas por causa dessa mudança, mas os argumentos são bem parecidos com o uso da sacolinha para descarte de lixo.

Usar essa desculpa para voltar a emporcalhar as ruas das cidades não faz o menor sentido. As pessoas que estão pensando assim devem ser aquelas que recolhiam as fezes com sacolinha e depois jogam na rua, aumento o risco de entupir bueiros.

Alguns materiais alternativos para recolher as fezes dos cães:

  • Saquinhos de papel;
  • Reaproveitamento de embalagens de papel.
    Dá até para preparar uma pazinha para recolher de forma mais fácil.
  • Ensinar o seu cão que a rua é para passear e não para usar como banheiro.

 

Com a mudança, os supermercados aumentaram seus lucros?

Apesar da sensação é que as sacolinhas eram gratuitas, na verdade o seu preço sempre esteve embutido no preço final. O custo das sacolas representa cerca de 5% do preço da mercadoria. Desde o dia em que aconteceu a mudança não vi nenhuma mudança nos preços dos produtos (alguns até aumentaram). Está circulando na internet que haverá um aumento de R$ 500 milhões nos lucros.
Por isso sempre fui a favor do incentivo. Se a pessoa não quisesse a sacola era só dar o desconto, mas isso não aconteceu.

No site da campanha falou que pode sim haver uma redução de preço, mas depende de cada supermercado.

Sustentabilidade é transparência das informações e não tenho visto isso nessa mudança. Se haverá uma redução queremos ter certeza de quanto e queremos ver discriminado na nota da compra.

Supermercados que davam pontos ou desconto pararam de dar. Por que?

Não vamos brigar mais pelo material que é feito a sacola, pois esse não é o pior o problema e sim o uso inadequado e a falta de clareza nas informações passadas. Todos devem fazer a sua parte, varejistas e consumidores.

E para finalizar. O termo correto é sacola reutilizável. Ecobag é só aquela que usa um material que não impacta o meio ambiente e sua forma de produção é feita com os critérios de sustentabilidade. Não é o material que torna a sacola mais sustentável e sim como ela é utilizada.

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Design Sustentável ou Ecodesign?

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Design Sustentável ou Ecodesign?

Postado em 21 outubro 2010 por Elisa Quartim

Ecodesign é a mesma coisa que design sustentável? E green design? Muitas dúvidas surgem quando começamos a estudar o assunto, inclusive alguns autores ou sites na internet acabam confundindo os termos – por isso vou tentar esclarecer um pouco esses termos que é a base deste blog.


Reutilização de uma lâmpada como vaso desenvolvido pelo escritório argentino Minimahuella.

Leia mais

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Dicas de Sustentabilidade

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Dicas de Sustentabilidade

Postado em 06 agosto 2008 por Elisa Quartim

Para se ter uma idéia do que pode ser feito para uma embalagem se tornar sustentável, achei muito interessante as dicas passadas pelo designer Martin Bunce da agência Tin Horse. Elas podem ser aplicadas em todos os projetos de design de embalagens. Dão uma visão que devemos pensar em todos os aspectos que envolvem a embalagem.

  1. A atual preocupação com práticas sustentáveis se deve ao fato de que os recursos globais que garantem as atividades humanas estão se esgotando cada vez mais rápido.
  2. A sustentabilidade é relacionada com as pessoas e a economia, além do meio ambiente. A definição de sustentabilidade do Relatório Brundtland, desenvolvido pela Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento é: “o desenvolvimento sustentável lida com as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.
  3. A sustentabilidade exige criatividade e persistência para lidar com as numerosas e complicadas variáveis que a circundam. Essas habilidades são pré-requisitos do designer de embalagens.
  4. Quando se cria designs levando em conta a sustentabilidade, você precisa trazer os problemas para a sua realidade. O aquecimento global e as emissões de gases que colaboram para o efeito estufa são apenas detalhes hoje. Quer você acredite ou não, há inúmeros outros tópicos que colaboram para o estado lamentável do meio ambiente.
  5. Não pense muito sobre qual seria o melhor modo de se criar uma embalagem ecológica. Pense no que acontece depois da fabricação de determinado objeto: o que é necessário fazer para produzir a sua embalagem de que modo as pessoas utilizam o produto e o que elas fazem quando não precisam mais dele.
  6. O que deve ser considerado antes da criação do design de uma embalagem é: a quantidade de água que é poluída e a quantidade de CO2 emitida.
  7. Sustentabilidade, marca e briefings inovadores são elementos que raramente aparecem juntos. Entretanto, algumas empresas estão se esforçando para atingir objetivos coorporativos e sustentáveis ao mesmo tempo. Como designer de embalagens não espere que todos os seus clientes sejam amigos do meio ambiente. Vá atrás de soluções sustentáveis antes.
  8. A análise do ciclo de vida da embalagem é muito útil para compreender o ciclo de vida de um produto. Felizmente, nesse ciclo, as embalagens não são as vilãs. Proteger e entregar um produto de forma eficiente é fundamental para a sustentabilidade. Os principais vilões desse processo são os componentes, a fabricação, a distribuição e o uso.
  9. Não se trata de uma guerra de materiais; alas, tenha cuidado ao dizer que um material é mais ecológico que outro. O Brasil, por exemplo, coloca grande parte do seu lixo em aterros ou nos lixões, enquanto outros países incineram o lixo. O papel, por exemplo, libera uma desagradável mistura de metano (gás mais nocivo do que o CO2) quando enterrado.
  10. Os designers podem ter tanta importância à sustentabilidade como para qualquer outro aspecto de um briefing. De qualquer forma, as expectativas devem ser claras e se encaixarem nas demandas do projeto. A classificação exibida acima é baseada em duas questões fundamentais: você sabe o que quer? E você sabe como fazer isso?
  11. Reciclagem. Essa deveria ser um requisito básico para a maioria das embalagens. No topo da cadeia de alimentos, estão as embalagens PET, totalmente recicláveis, e as embalagens da Tetra Pak, que podem ser transformadas em alumínio e vaselina, por exemplo. Na base da cadeia estão a incineração e o uso de materiais que viram adubo.
  12. Alguns briefings que recebemos são chamados de exercício “just do it” (ou apenas faça). Porém antes de criar o primeiro protótipo sem refletir um pouco sobre o assunto, tire algumas dúvidas com especialistas escolhidos a dedo. Não fique com nenhuma dúvida em mente.
  13. A aparência e a linha ideológica devem estar bem definidas, porém, a sustentabilidade é influenciada pelo comportamento atual da marca, característica que possui papel fundamental na embalagem.
  14. O questionamento é um passo importante na criação de um projeto sustentável. A fabricação de plástico comum não será mais ecológica do que em PET, devido a fatores como o transporte do material, por exemplo? Faça todas as perguntas necessárias antes de partir para a próxima etapa.
  15. A maioria dos clientes e designers pode ficar confusa na etapa de concretização de um projeto, mas ainda é possível ser sustentável e criativo. Contudo, é importante permanecer focado na sustentabilidade se o projeto permitir essa característica, o que deve ser descoberto ainda na etapa de conceituação.
  16. Compreenda o ciclo de vida do produto: sua origem, como ele é fabricado, como e onde é usado e o que acontece quando ele é descartado, além de descobrir possibilidades diferentes dos padrões existentes e algumas informações sobre os produtos concorrentes. Quando o assunto é sustentabilidade, as estimativas são feitas apenas a partir de comparações.
  17. Descubra o que puder sobre o produto, a embalagem, os processos de fabricação, a linha de distribuição, sem esquecer da venda. Não economize tempo para saber em que etapa da produção ou do consumo ocorre o desperdício e explore soluções em design para diminuir o problema.
  18. Pense na “digestão” do produto: o que os consumidores fazem com ele enquanto o utilizam e quando o descartam. Entenda como o produto e a embalagem ditam as práticas do consumidor e também como essas práticas definem a embalagem e o produto.
  19. Pense em todos os ramos, setores ou sistemas nos quais a embalagem influi, ou até mesmo se ela define um novo sistema. Teste todas as idéias que tiver. Os estágios conceituais e de avaliação podem não dar certo, então, se acostume a pensar inúmeras idéias e fazer diversas tentativas. Converse com especialistas na área.
  20. Esteja preparado para fazer com que apelos sustentáveis do produto seja atraentes para um público acostumado com a rotina de prazer e conveniência. As pessoas podem admirar a sustentabilidade, mas o controle do desperdício domiciliar é o principal fator que influencia a busca de soluções mas sustentáveis hoje.

Não se convença se uma embalagem aparentar ser sustentável. Sempre há algo a ser feito; desde remodelar a estrutura da embalagem para retirar pequenos excessos até repensar os princípios fundamentais das embalagens.

Fonte: Matéria com Martim Bunce, da agência Tin Horse. Especial “Design de embalagem” da revista Computer Arts Projects.

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