Embalagens ao longo da vida

Postado em 14 fevereiro 2013 por Elisa Quartim

Qual foi a embalagem que nos trouxe ao mundo?

Quais embalagens usamos para nos proteger e transportar?

Qual embalagem nos leva embora?

 

Considerando que uma embalagem é toda envoltura que armazena algo temporariamente e tem a função de transporte, armazenamento, manipulação, proteção, e de transmitir informações sobre o seu conteúdo, podemos ampliar muito o que consideramos embalagem e nos colocar na posição de “produto”.

Logo nos nossos primeiros dias de vida, permanecemos na barriga de nossa mãe durante mais ou menos nove meses. Embalagem que a natureza tão perfeitamente desenvolveu que nos protege e transporta, e ainda podemos usar a nossa mãe para comunicar nosso desconforto dando pequenos chutes ou nos movimentando.

gravidez

 

Depois que nascemos, logo sentimos falta do calorzinho da barriga e precisamos de roupas para nos proteger do frio.

Além de proteger, a  roupa transmite informações sobre a nossa personalidade e pode até informar qual é a nossa profissão. Algumas podem aguentar desde o fogo até temperaturas abaixo de zero.

roupa

 

E no final, quando o nosso corpo atinge o máximo de sua validade, precisamos de algo que nos transporte e dê um fim a matéria que sobrou. Nos tornamos um resíduo sólido e junto todas as conseqüências de quando não é bem feita a nossa disposição final. Como qualquer resíduo orgânico o nosso corpo se decompõe e produzindo o chorume e gás metano.

Um cadáver médio, por exemplo, pode produzir entre 30 e 40 litros de chorume, ou necrochorume, que pode ser ainda mais nocivo. Ele resulta da mistura de água, sais minerais e substâncias tóxicas como a putrescina e a cadaverina, podendo contamidar o solo e o lençol freático. Os cemitérios deveriam ter o mesmo tipo de construção que os aterros sanitários, com uma camada impermeabilizante, mas não é essa a realidade. Sem falar os resíduos do caixão (ainda não ouvi falar em caixão reutilizável).

Para que opta por esse fim, alguns designers pensaram em opções de embalagens para o enterro.

Uma dessas opções foi desenvolvida pelo designer espanhol Hazel Selina. O Ecopod é feito com folhas de amoreira e papel reciclado compressado (principalmente jornais usados) disponível em diversas cores.

Ecopods1

Tem ainda a opção escolhida pelo inglês Keith Floyd que encomendou um caixão feito com cascas de banana. Vejam a história dele aqui.

caixao palha

Para quem optar por ser cremado, apesar de gerar menos resíduo, acaba também impactando o meio ambiente. Cada cremação libera entre 200 kg e 400 kg de gases do efeito estufa na atmosfera, o equivalente a uma ida e volta de carro entre Rio e São Paulo e e consome cerca de 45 quilos de GPL (gás de cozinha). A cremação é responsável pela emissão de mercúrio, poluição que termina no ar e nos mares, segundo a organização The Natural Death Centre.
Os mesmos fabricantes do Ecopod também pensaram em uma solução de embalagem para isso, a urna ARKA Acorn Urn, onde elas também são desenvolvidas em várias cores e com papel reciclado.

Urna ARKA Acorn Urn

 

Já os designers espanhóis Martín Azúa e Gerard Moliné criaram a Urna Bios, uma pequena caixa em forma de cone que pode abrigar cinzas humanas e, quando enterrada, dá inicio a uma outra vida pois dentro dela há uma semente de planta, escolhida pelo freguês antes de morrer, que poucos dias depois de enterrada, começa a germinar e a crescer, marcando claramente o novo lugar que o antigo corpo ocupa na terra. De acordo com o site de Azúa, “a Urna Bios reintegra o homem ao ciclo de vida natural”.

Para não prejudicar o solo, a Urna Bios é feita com casca de coco, celulose e turfa – um material de origem vegetal – e pode se desintegrar na natureza sem impactá-la.

 

Urna Bios1

 

Assim como as embalagens dos produtos que consumimos no nosso dia a dia, pouco paramos para pensar nas embalagens que nos protegem. Ainda bem que já estão pensando nisso.
Fontes:

http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/blog-da-redacao/urna-biodegradavel-enterra-as-cinzas-de-morto-e-germina-uma-arvore/

http://super.abril.com.br/blogs/planeta/um-crime-depois-de-morto/

http://www.nopatio.com.br/ecofriendly/caixoes-biodegradaveis-feitos-de-jornal/

http://www.ecopod.co.uk/

http://www.institutodeengenharia.org.br/site/noticias/exibe/id_sessao/4/id_noticia/6364/Funeral-verde-ganha-adeptos-no-Reino-Unido

http://www.martinazua.com/cas/cas/urna-bios/

 

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