Embalagens metalizadas flexíveis I

Postado em 18 junho 2012 por Elisa Quartim

 

Conhecidas genericamente como embalagens flexíveis ou convertidas além de serem flexíveis no seu material também são no seu uso. Podem ser monomateriais ou laminada com multimateriais, dependendo do seu uso.

Devido à diversidade de materiais utilizados, sua devida reciclagem, após o seu uso, dificilmente acontece. Por isso a importância de conhecer como são feitas e que soluções já existem após serem usadas.

Como existem várias embalagens feitas com este material, neste post, vou falar mais especificamente das embalagens usadas para alimentos tipo snacks como salgadinhos e biscoitos. Como são muitas informações esse post será dividido em dois. O primeiro falará das embalagem BOPP metalizada ou não, e o segundo post será sobre as embalagens laminadas feitas com camadas de vários materiais.

 

Composição estrutural

A composição estrutural deve ser feita em função do conteúdo a ser acondicionado. Ela pode ser standard, média, média alta e alta. Para as embalagens de snacks (como os cookies) a composição estrutural é a standard.

Os materiais utilizados, em geral, são os filmes de PE, PP, BOPP e filmes metalizados.

 

Composição estrutural da embalagem embalagem laminada standard (para snacks e biscoitos)

  • Filme de BOPP
  • Impressão
  • Adesivo de Performance Standard
  • Filme BOPP metalizado.

 

Embalagem flexível metalizada.

 

As embalagens mais encontradas no mercado são as embalagens de polipropileno biorientado (BOPP) metalizado. Elas acondicionam uma ampla gama de produtos, pois agregam boas propriedades mecânicas e de barreira a gases de umidade.

O processo de metalização consiste na impregnação do filme por uma finíssima camada de metal (alumínio). Essa aplicação é conseguida por meio do vapor de alumínio. Todo o filme torna-se espelhado com uma excelente apresentação.

 

Vantagens:

Possui propriedades de alta barreira ao vapor d´água e ao oxigênio, com a face metalizada e tratada, preparada para impressão e/ou laminação e a face oposta termosselável. Agregam boas propriedades mecânicas e de barreira a gases de umidade.

Desvantagens:

Contudo, essas propriedades, assim como a aparência, a termossoldagem, a integridade e o desempenho da embalagem são comprometidos quando ocorre a delaminação da estrutura laminada. Além do mercado de reciclagem deste material ainda é muito pequeno, sendo seu provável destino um aterros sanitário.

 

Rotulagem

Apesar da norma ABNT NBR 13.230 (ASSOCIAÇÃO, 2008) não fazer referência específica aos plásticos flexíveis, porém as embalagens flexíveis também devem adotar a simbologia desta norma.

Recomenda-se que os materiais de BOPP, metalizados ou não, apresentem o símbolo de reciclagem do PP, número 5.

O uso do símbolo de identificação de materiais contribui para a melhoria da identificação das embalagens plásticas disponíveis no mercado brasileiro e a sua devida reciclagem. As embalagens brasileiras, por não ter um legislação mais específica para isso, quando usam o usam símbolo, em vários momentos é usado de forma incorreta. Desta forma acabam prejudicando a cadeia de reciclagem do plástico no pós-consumo.

 

Reciclagem BOPP (metalizado ou não)

No banco de dados da Plastivida constam 196 empresas recicladoras de PP no Estado de São Paulo (PLASTIVIDA, 2008). Com a finalidade de confirmar a reciclagem de BOPP por estas empresas recicladoras de PP.

No relatório “Simbologia de reciclagem para laminados de BOPP”, produzido pelo CETEA, encomendado pela Vitopel fabricante de BOPP, entraram em contato com 19 empresas, sendo que oito destas empresas confirmaram que não reciclam BOPP. Em grande número das empresas consultadas, os funcionários sequer conheciam o material BOPP. E somente duas das empresas consultadas reciclavam BOPP (apenas o metalizado) pré consumo.

Segundo as informações divulgadas, estas empresas não trabalham com BOPP pós-consumo devido aos problemas de lavagem e separação do material coletado. Em alguns casos (não especificados), a presença da tinta de impressão dificulta a reciclagem. Já a metalização não apresenta este problema.

Segundo o CETEA, uma vez que a espessura da camada de alumínio (da ordem de 30 nm) presente nas embalagens de BOPP metalizadas é cerca de 1.000 vezes menor do que a espessura do filme de BOPP (da ordem de 20 μm) e não foi identificado nenhum problema tecnológico para a reciclagem deste material, é um material tecnicamente reciclável, porém apenas o de origem industrial e por poucas empresas.

Recomenda-se também que sejam investigados com maior profundidade os problemas causados pela impressão, a fim de que, com o auxílio dos formuladores de tinta, esses problemas possam ser contornados.

 

Materiais feitos com embalagens flexíveis metalizadas

Vitopaper

 

A Vitopel empresa que fabrica o BOPP e outros filmes, para fechar o ciclo de vida de seus filmes flexíveis – e também de outros plásticos – desenvolveu o Vitopaper, papel sintético feito de plásticos reciclados do pós-consumo, como as embalagens metalizadas ou transparentes, rótulos e sacolas plásticas. A fabricação do papel sintético (Vitopaper) utiliza a tecnologia aplicada na produção de filmes flexíveis de polipropileno, porém com o diferencial de usar diversos tipos de plásticos que seriam destinados ao lixo.

O Vitopaper é um material de alta qualidade visual, similar ao papel “couché”, que permite a escrita manual e a impressão pelos processos gráficos. Com textura agradável ao toque e extremamente resistente, o Vitopaper não molha, não rasga e pode ser reciclado inúmeras vezes. O Vitopaper® é um produto com patente mundial.

A Vitopel conta com o único centro de pesquisa para desenvolvimento desta tecnologia na América Latina.

 

Display com BOPP reciclado

A PepsiCo, fabricante dos produtos Elma Chips, Quaker e Pepsi, entre outros, desenvolveu o primeiro display de produtos para ponto de venda (PDV) 100 % reciclado.

Criada para a exposição de produtos Elma Chips, é fabricada a partir do BOPP e de poliestireno (PE).

A estimativa é de que em 2010 sejam produzidos 20 mil displays 100% reciclados, montante equivalente a 20% do volume anual de displays adquiridos pela companhia.

O BOPP é utilizado para a construção de 95% da estrutura do expositor. Para a produção de cada unidade é material equivalente a 675 embalagens de salgadinhos.

A geração de empregos é outro aspecto importante do programa de reciclagem do BOPP . Na Clodam, recicladora que transforma as embalagens de snacks em resina, quem executa o trabalho são detentos em regime semiaberto. A iniciativa contribui para a inserção desses presidiários no mercado de trabalho.Depois é produzido pela Fábrica de Ideias.

 

Produtos feitos com embalagens

A PepsiCo além do display, em 2009, a empresa assinou acordo com a TerraCycle, empresa especializada na transformação de resíduos em bolsas, estojos e lancheiras. Para isso, foram lançadas as Brigadas PepsiCo, que têm o objetivo de engajar os consumidores no processo de reciclagem de resíduos.  A meta para 2010 é ter por volta de quatro mil pessoas envolvidas no processo de coletiva seletiva por meio das brigadas.

 

Pallets

A WiseWaste, com o auxílio de dois parceiros, reciclou 136 toneladas de embalagens de BOPP, usadas para o acondicionamento de salgadinhos. para a fabricação de 8 mil pallets plásticos, que serão utilizados pela empresa fabricante de salgadinhos para o transporte de seus produtos.

 

No próximo post falarei um pouco mais das embalagens laminadas multimateriais usadas para alimentos tipo snacks.

 

Bibliografia

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 13.230: embalagens e acondicionamentos plásticos recicláveis – identificação e simbologia. Rio de Janeiro, 2008. 8p.

http://bagarai.com.br/embalagens-metalizadas-de-bopp-sao-reciclaveis.html

BLOG ADESIVO EMBALAGEM. Projetando Embalagens Laminadas: a tecnologia em camadas. Disponível em: < http://www.blogadesivoembalagem.com.br/>. Acesso em: 16 Jun. 2012.

CETEA. Simbologia de reciclagem para laminados de BOPP.  Disponível em: <http://bagarai.com.br/wp-content/uploads/2010/07/Laudo-Cetea.pdf>.  Acesso em: 18 Jun. 2012.

INSTITUTO DE EMBALAGENS. NAPOLITANO, Assunta (org.). EMBALAGENS: design, materiais, processos, máquinas e sustentabilidade. 1ª Ed. Barueri: Instituto de Embalagens, 2011.

COLTRO, L.; GASPARINO, B.F.; QUEIROZ, G.C. Reciclagem de materiais plásticos: a importância da identificação correta. Polímeros: Ciência e Tecnologia. São Carlos, v. 18, n. 2, p. 119-125, 2008.

COLTRO, L. Embalagens Plásticas flexíveis vs meio ambiente: problema ou solução? Curso “Embalagens plásticas flexíveis: propriedades e avaliação da qualidade”. Campinas: CETEA/ITAL (Palestra) (2002).

PLASTIC NEW ZEALAND. The Plastic Identification Code – Bottoms up! Recycling plastic is easy at work and at home. Disponível em: <www.plastics.org.nz>. Acesso em: 20 jan. 2009.

PLASTIVIDA. Desempenho e perspectiva da reciclagem dos plásticos no Brasil. Disponível em <www.plastivida.org.br>. Acesso em 9 de dezembro de 2008.

ESMERALDO, F.A. Monitoramento dos índices de reciclagem mecânica de plástico no Brasil (IRmP). São Paulo: PLASTIVIDA (Palestra) (2008).

4 Comente este post

  1. Débora Higino Sodré Says:

    Artigo Perfeito. Parabéns!! :)

  2. Leticia Says:

    Muito bom a matéria bem sucinto mas completo! Parabéns!

  3. Bruno Says:

    Parabéns pela matéria! Conteúdo muito completo! abraços

  4. Karlan Says:

    Olá
    Primeiro quero parabeniza-los pelo excelente artigo.
    Gostaria de reproduzir seu artigos na integra e/ou com algumas alterações no meu blog (http://sustentabilidade-tecnologica.blogspot.com.br/)
    É possível? Todos os créditos serão seus, apenas para ampliar o horizonte destas informações.
    Cordialmente

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