Archive | janeiro, 2012

Acabaram as sacolinhas. E agora?

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Acabaram as sacolinhas. E agora?

Postado em 31 janeiro 2012 por Elisa Quartim

Desde o dia 25 de janeiro as grandes redes de supermercado pararam de distribuir sacolinhas na boca do caixa. O site Embalagem Sustentável sempre foi a favor da livre escolha e acreditávamos que aos poucos todos perceberiam o impacto individual de cada sacola.  Acreditamos que o incentivo seria o melhor caminho, dando o desconto do valor embutido nas compras do custo das sacolas.
Infelizmente a mudança não ocorreu na velocidade e na maneira esperada e acabaram fazendo um acordo pelo fim da distribuição das sacolas na boca do caixa, sem dar outras opções gratuitas.

O objetivo principal é a não geração de resíduos em excesso. Os grupos envolvidos na ação chegaram à conclusão (que infelizmente eu concordo) que muitas pessoas só mudam quando começam a sentir no bolso. Escolheram o caminho mais radical.
Agora terão que pagar para levar suas compras para casa e poder descartar o seu lixo apropriadamente. Pagando vão aproveitar melhor cada saco e valorizá-los.

Muitas pessoas já tinham mudado seus hábitos e quase não sentiram a mudança, mas quem ainda não tinha feito isso sentiu um grande impacto. Isso tem gerado muita revolta e dúvida em o que fazer agora sem as sacolinhas. Algumas dúvidas que surgiram nesses primeiros dias de mudança:

Por que não substituir por sacolas de papel?

Como já foi falado, o objetivo principal não é acabar com o plástico e sim diminuir o descarte excessivo e inadequado de sacolas, independente do material.

O papel não é necessariamente mais sustentável que o plástico. Depende se ele foi feito com manejo sustentável, se é certificado, como as pessoas usam, local de fabricação e distribuição. Para dar uma resposta exata só fazendo uma Análise do Ciclo de Vida (ACV). (Se alguém souber de algum estudo sério indiquem).

Mas a sacola de papel tem alguns detalhes que é importante salientar:

  • O papel é mais pesado e volumoso.
    Se for analisar todo o ciclo de vida, acaba emitindo mais gases de do efeito estufa. Precisa de mais caminhões para transportar a mesma quantidade que seria da sacolinha de plástica.
  • O aumento de consumo de papel aumentaria o corte de árvores.
    Apesar de no Brasil o papel é feito com árvores plantadas especialmente para a fabricação de papel, essas áreas teriam que ser ampliadas e haveria a possibilidade de se buscar áreas “não exploradas”.
  • A sacola de papel é menos eficiente.
    Com produtos molhados ou com o peso muito grande, as sacolas rasgam facilmente.
  • São biodegradáveis.
    Mas em aterros mal projetados, elas podem demorar o mesmo tempo para se decompor.

Eu faço grandes compras mensais. Não cabe tudo na minha sacola retornável. O que faço agora?

Se você vai de carro, pode levar várias sacolas reutilizáveis, caixas reutilizáveis ou pedir uma caixa de papel no supermercado.
Eu pessoalmente prefiro usar várias sacolas grandes reutilizáveis. São até mais fáceis de carregar do que várias sacolinhas plásticas que acabavam cortando a mão com o peso. As caixas reutilizáveis são boas opções, mas se a compra é grande corremos o risco de colocar mais coisas que conseguimos carregar.

E como vou descartar o meu lixo em casa agora?

A sacolinhas nunca foram uma boa opção para descartar lixo. Só eram boas porque eram “gratuitas”. Alguns motivos que a sacolinha não é boa para descartar o lixo.

  • São em sua maioria feitas com resina virgem.
    Um desperdício de material que era utilizado apenas um vez e descartado muito rapidamente.
  • São impressas com tintas que podem fazer mal ao meio ambiente.
    Em geral as tintas contém metais pesados que acabam indo para os lençóis freáticos e impactando o meio ambiente.
  • São frágeis.
    Por serem “gratuitas”, muitos supermercados economizavam na sacola e elas rasgavam muito facilmente, obrigando com que cada pessoa pegasse duas sacolas ao invés de uma.
  • Os animais marinhos confundiam com alimento e acabavam morrendo.
    Seja por descaso ou por seu material ser leve, acabavam caindo nos oceanos e impactando esse meio ambiente.

E o cocô do meu cachorro?

Muitos estão falando que haverá um aumento no volume de cocô de animais de estimação nas ruas por causa dessa mudança, mas os argumentos são bem parecidos com o uso da sacolinha para descarte de lixo.

Usar essa desculpa para voltar a emporcalhar as ruas das cidades não faz o menor sentido. As pessoas que estão pensando assim devem ser aquelas que recolhiam as fezes com sacolinha e depois jogam na rua, aumento o risco de entupir bueiros.

Alguns materiais alternativos para recolher as fezes dos cães:

  • Saquinhos de papel;
  • Reaproveitamento de embalagens de papel.
    Dá até para preparar uma pazinha para recolher de forma mais fácil.
  • Ensinar o seu cão que a rua é para passear e não para usar como banheiro.

 

Com a mudança, os supermercados aumentaram seus lucros?

Apesar da sensação é que as sacolinhas eram gratuitas, na verdade o seu preço sempre esteve embutido no preço final. O custo das sacolas representa cerca de 5% do preço da mercadoria. Desde o dia em que aconteceu a mudança não vi nenhuma mudança nos preços dos produtos (alguns até aumentaram). Está circulando na internet que haverá um aumento de R$ 500 milhões nos lucros.
Por isso sempre fui a favor do incentivo. Se a pessoa não quisesse a sacola era só dar o desconto, mas isso não aconteceu.

No site da campanha falou que pode sim haver uma redução de preço, mas depende de cada supermercado.

Sustentabilidade é transparência das informações e não tenho visto isso nessa mudança. Se haverá uma redução queremos ter certeza de quanto e queremos ver discriminado na nota da compra.

Supermercados que davam pontos ou desconto pararam de dar. Por que?

Não vamos brigar mais pelo material que é feito a sacola, pois esse não é o pior o problema e sim o uso inadequado e a falta de clareza nas informações passadas. Todos devem fazer a sua parte, varejistas e consumidores.

E para finalizar. O termo correto é sacola reutilizável. Ecobag é só aquela que usa um material que não impacta o meio ambiente e sua forma de produção é feita com os critérios de sustentabilidade. Não é o material que torna a sacola mais sustentável e sim como ela é utilizada.

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São Paulo deixa de oferecer sacolas plásticas gratuitas aos clientes.

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São Paulo deixa de oferecer sacolas plásticas gratuitas aos clientes.

Postado em 23 janeiro 2012 por Elisa Quartim

A partir do dia 25 de janeiro, aniversário da maior cidade paulista, as redes filiadas à Apas se comprometeram a não mais oferecer de graça as sacolinhas plásticas. A iniciativa faz parte da campanha “Vamos tirar o planeta do sufoco”, em parceria com o governo estadual, e deve alcançar cerca de 30 milhões de pessoas.

Os supermercados oferecerão, como alternativa, sacolas biodegradáveis, feitas de amido de milho e sacolas reutilizáveis a um custo de R$ 0,20. Porém essas sacolas não são o foco da campanha. A ideia é reduzir drasticamente a sacola descartável e incentivar outras opções reutilizáveis, como sacolas, caixas, carrinhos ou reaproveitar as caixas de transporte do produtos que chegam aos supermercados.


O fim das sacolinhas gratuitas é um tema recorrente. Vários municípios paulistas começaram a votar leis, sancionadas pelos prefeitos, proibindo o uso das sacolas plásticas nos últimos três anos. Essas leis, no entanto, foram alvo de Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) por parte do Procon, indústrias e sindicatos dos fornecedores, e acabaram sendo abandonadas.

Na cidade de São Paulo o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), derrubou recurso da Prefeitura de São Paulo e manteve liminar do setor do plástico que suspende a lei municipal que proíbe a distribuição e a venda de sacolinhas plásticas no comércio varejista da cidade.

Por isso a Apas e o Governo de São Paulo adotou o caminho da conscientização dos consumidores sobre o problema e estabeleceu a campanha de forma voluntária. A medida não possui força de lei, mas espera-se uma grande adesão já que grandes redes tais como Carrefour, Pão de Açúcar e Walmart, apoiam a ação.

Os supermercados da Apas estão presentes em mais de 150 cidades e são responsáveis por 90% do faturamento da cadeia de varejo.

Muitos já estão preparados para essa mudança e já costumam utilizar outras alternativas às sacolinhas plásticas. Nós já escrevemos sobre algumas dessas alternativas vejam aqui. Mas uma dúvida recorrente que fica é como descartar o lixo caseiro. Primeiro, as sacolinhas nunca foram a única alternativa para se descartar o lixo. Já existem no mercado sacos de plástico para o lixo feitos com plástico reciclado ou, mais recentemente, de fonte renovável. As sacolinhas são feitas de resina virgem, e mesmo que sirvam como saquinhos de lixo é um desperdício ser reutilizada apenas uma vez. Uma opção para o lixo seco é fazer um saquinho de jornal, feito a partir de uma dobradura de um copinho, usando a técnica de origami. Dica com passo a passo do Greenvana.

A meta é reduzir o consumo das sacolas em 30% até 2013 e em 40% até 2015, considerando a produção de 2010 (14 bilhões).
A ideia ganhou o apoio do Ministério do Meio Ambiente e deve se expandir para outros estados. A partir de 15 de março, a segunda fase da iniciativa, em parceria com a Apas e a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), será lançada nacionalmente.

Saiba mais sobre a campanha:

http://vamostiraroplanetadosufoco.org.br/

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