A acessibilidade é um dos pontos fundamentais da sustentabilidade que ainda é pouco discutido. Nós não somos todos iguais, alguns tem necessidades especiais e se deparam com dificuldades. E na hora de desenvolver um produtotudo deve ser pensado.
No Brasil começamos a ter um avanço. Uma nova norma da Anvisa publicada no Diário Oficial da União no final de 2009 irá mudar as embalagens de medicamentos. Os fabricantes terão de seguir novas regras como a obrigatoriedade do nome do remédio em braile nas caixas, além da inclusão de informações sobre conservação e prazo de validade do produto após a abertura. O objetivo da medida é tornar os rótulos de medicamentos mais claros e úteis à sociedade.
Um projeto conceitual da designer Andrea Zeman conseguiu através de efeitos táteis, como formas e texturas, uma diferenciação de produto para os deficientes visuais.
Através de entrevisas com cegos, ela percebeu que uma das grandes dificuldades era na hora de usar os temperos. Conversando com eles seguiu alguns critérios que facilitaria a sua diferenciação que são essas.
Formas diferenciadas – A forma é muito importante. Os cegos acabam desenvolvendo uma sensibildade muito grande no tato e conseguem detectar as mínimas diferenças.
Texturas – É tão importante quanto a forma.
Texto Braille – É a maneira mais fácil e mais lógica para diferenciar as embalagens.
Orientação espacial – a embalagem não deve ficar limitada apenas a uma parte de uma área para chamar a atenção na gôndola. Ela deve ser capaz de se movimentada e guardada em qualquer lugar.
As embalagens de temperos foram separadas em 3 grupos – mediterrâneo, oriental e o de sal e pimenta. Para cada grupo foi feito uma forma diferente. O sal e a pimenta se difenreciam através de texturas). Juntos, eles criam formas com yin e yang.
Cada tempero tem o nome em braile em local adequado para não haver confusão sobre o qual é tempero em que embalagem.
A rede de Ecoblogs fez um desafio concorrendo à uma bicicleta dobrável Dahon Eco 1 para reciclar um post deles acrescentando mais coisas.
O que eu escolhi foi do cartão da agência Tátil feito com embalagens de TetraPak. O lado prateado leva as informações do cartão e o lado colorido, o logo da marca. Os próprios funcionários levam diariamente à empresa suas embalagens recicláveis para produzir os cartões.
Sempre fiquei em busca de uma cartão de vista que me identificasse e que transmitisse conceitos de sustentabilidade. No final do ano passado criei um feito com carimbo.
A ideia é que o cartão não fique limitado a um só tipo de papel, podendo usar até mesmo o papel que esteja disponível na hora.
O primeiro foi carimbado em papel reciclado da Romitec 100% reciclado (sendo que 30% de pós consumo e 70% de pré-consumo) sem utilização de cloro para branqueamento.
Não fui a primeira a produzir um cartão com essa idéia, apesar de pensar nela desde 2005, mas só agora consegui produzir.
A Fisher Portugal teve uma ideia parecida. Ele é um carimbo que pode ser aplicado em qualquer pedaço de papel. Só achei que eles poderia ter explorado mais a parte gráfica do carimbo.
Já a Sassen Design conseguiu um efeito bem legal explorando a tipografica da marca.
Já Jamie Wiek criou um modelo bem original. Basta molhar o cartão que em quatro dias já começa a brotar, dando forma à figura do cartão.
E sempre há a possibilidade da troca de contatos sem o uso do cartão, com os celulares podemos trocar os contatos na hora sem precisar usar o papel. Pensem nisso…
A americana Ecologic Brands desenvolveu uma garrafa sustentável de produtos líquidos.
Ela é compostável e recicláveis e já está a venda em lojas selecionadas da rede Whole Foods nos EUA.
A casca exterior da garrafa é feita de papelão corrugado reciclado que foi termoformadas em um recipiente rígido utilizando a mesma tecnologia das caixas de ovos.
O forro interno é uma bolsa fina de PEBD que é reciclável e fácil de se adaptar às inovações dos bio plásticos. O plástico fica mais fácil de ser separado do que nas caixinhas de Tetra-Pak
A primeira empresa a testar a nova embalagem é a Straus Family Creamery. Ela é uma das empresas mais respeitadas de laticínios orgânicos nos EUA, conhecido pela sua gestão ambiental forte e base de consumidores leais.
Esse piloto conduzirá para uma maior implantação da embalagem para outras categorias de alto volume de embalagem como suco, vinho, produtos de limpeza e detergentes para a roupa.
A Method Home é uma empresa norte-americana especializada na fabricação de produtos de limpeza doméstica com formulações amigas do meio ambiente. Já falei um pouco dela neste post. A empresa sempre se destacou por seu design e por seus produtos amigos do meio ambiente.
Agora eles lançaram mais um novo produto onde sua embalagem é destaque. É o detergente de roupas líquido com tecnologia Smartclean™, que chega ao mercado.A embalagem diferenciada, com pump handheld e utiliza uma nova fórmula patenteada para entregar uma força de limpeza notável com apenas ¼ de dose de uma marca convencional.
A embalagem tem um sistema pump de dosagem que oferece o produto em uma quantidade precisa. O novo design permite fácil dispensing do detergente diretamente na máquina. Além disso, para criar melhor experiência ao usuário, o design diminui a incidência de superdosagem ou o enchimento da tampa mais do que o recomendado. A superdosagem pode levar ao excesso de água de sabão que pode afetar a roupa e a máquina lavadora.
A embalagem reciclável é produzida com 50% de material plástico reciclado. Além disso, a Method recebeu o primeiro certificado Cradle to Cradle para detergente de lavanderia, em reconhecimento a formulação segura, design de embalagem verde e processo de fabricação.
O grupo Arrasta-Lata, da ong Projeto Arrastão, usa a música para conscientizar os seus espectadores sobre a problemática da poluição.
Criado em 1999, o grupo é formado por 40 crianças e adolescentes que desenvolvem diversas ações dentro da organização, além de realizar apresentações externas. Estas crianças têm aulas de percussão, dança e confecção de instrumentos, além de reforço escolar, informática, educação ambiental e atividades culturais.
O objetivo do programa é levar o tema meio ambiente de uma forma lúdica, sem esquecer de dar uma formação intelectual e cultural aos integrantes do grupo. O maestro Júlio Medaglia e o ministro da Cultura Gilberto Gil são alguns dos personagens que já se apresentaram com o grupo.
Este projeto teve como base o desenvolvimento de um produto novo focando na reutilização de resíduos de óleo de cozinha coletados por clientes, funcionários e parceiros para a produção de um sabão mais sustentável e com melhor custo para o cliente. Os ganhos são:
Conscientização e engajamento de clientes, funcionários e parceiros para a separação e destinação correta de resíduos de óleo de cozinha;
Criação de um processo de logística reversa para os resíduos de óleo de cozinha coletados nas lojas participantes;
Utilização de 20% de óleo de cozinha reciclado para a fabricação do produto;
Aumento na disponibilidade de pontos de coleta de resíduos de óleo vegetal nas lojas Walmart;
Oferecimento de um produto mais sustentável e com preço 20% menor para o consumidor.
Esse projeto não apresentou nenhuma melhoria em embalagem, apesar de todas as outras empresas do Projeto End-to-Endo do Walmart terem se preocupado com isso. Estranho pois o produto deles deveria ser referência em embalagem. Além de não ter tido nenhuma melhoria para a sustentabilidade na embalagem, o design gráfico é horrível e confuso. Eles ainda tem muito trabalho pela frente.
Este projeto de melhoria teve como foco as campanhas de educação ambiental para comunicação aos consumidores do conceito de produto concentrado e as melhorias ambientais decorrentes da concentração do produto como a utilização de menor quantidade de recursos naturais e conseqüentemente, a redução das emissões de gases de efeito estufa e da geração de resíduos. O projeto desenvolvido pela Unilever alcançou os seguintes resultados:
Embalagem:
63% de redução do consumo de papel na caixa de papelão utilizada no transporte e distribuição do produto;
37% de redução do consumo de plástico para a produção da embalagem;
Outras alterações:
redução no consumo de energia para produção e transporte de produto;
redução no uso de água na formulação do produto;
37% de redução da quantidade de resíduo sólido no pós-consumo.
O desenvolvimento do Toddy orgânico demandou um amplo estudo da cadeia de valor do produto, que resultou em benefícios que foram além do próprio dele próprio, gerando impactos positivos desde sua produção até o descarte final da embalagem. Os resultados alcançados pelo projeto foram:
Embalagem:
Uso de material 100% reciclado para a produção de rótulos (75% a 80% pré-consumo e 25% a 30% pós-consumo);
Uso de matéria-prima certificada pelo FSC – Conselho Brasileiro de Manejo Florestal, para produção do rótulo do produto;
Outras alterações:
Utilização de 100% de cacau e açúcar orgânicos certificados;
Menor emissão de gases de efeito estufa;
Eliminação do uso de queimadas para colheita da cana-de-açúcar utilizada para produção de Toddy Orgânico;
O projeto teve como objetivo melhorias nos processos produtivos com foco na redução de massa nas embalagens primárias e secundárias, com benefícios como redução na quantidade de material da embalagem e otimização no uso de água e energia nos processos produtivos. Foram alcançados os seguintes resultados durante o projeto:
Embalagem:
Redução do consumo de material plástico utilizado nas garrafas de água sem gás sendo: 36% de redução na massa das tampas das garrafas; 25% de redução nas garrafas de 300ml, 3% nas garrafas de 510 ml e 1,5 litros;
Redução do consumo de material plástico utilizado nas garrafas de água com gás, sendo 25% de redução na massa das tampas das garrafas; 25% de redução nas garrafas de 300 ml; 22% de redução nas garrafas de 510 ml; e 19% na redução das garrafas de 1,5 litros;
Eliminação de pigmentos das tampas, facilitando a reciclagem e agregando valor na cadeia do pós-consumo;
Garrafas de Pureza Vital e Petrópolis sem pigmento, facilitando a reciclagem e agregando valor na cadeia pós-consumo;
Redução de 18% no consumo de material plástico shrink na embalagem
Redução de 25% na massa de papelão utilizada na paletização;
Redução no filme plástico (stretch filme) que envolve os paletes em 31%;
Rótulo mais fácil de ser removido no pós-consumo, facilitando sua reciclagem;
Uso do braile nas garrafas para que possam ser identificadas por consumidores com necessidades especiais;
Outras alterações:
Redução no consumo de água, de 26% em São Lourenço e 51% em Petrópolis;
Redução de consumo de energia, de 9% em São Lourenço;
Capacitação de 70 educadores da rede escolar de São Lourenço que multiplicaram conceitos de educação ambiental.
Este projeto de melhoria teve como princípio o desenvolvimento de uma embalagem primária de menor volume para acondicionar a mesma quantidade de band-aids com benefícios como redução na quantidade de material de embalagem, otimização do processo produtivo e do transporte do produto.
Embalagem:
redução de 18% no uso de matérias-primas para a embalagem;
utilização de 30% de matéria-prima reciclada pós-consumo na embalagem do produto, representando uma economia de mais de 32 milhões de embalagens que utilizariam matéria-prima virgem para sua produção;
utilização de 40% de matéria-prima reciclada pós-consumo na caixa de transporte do produto, representando um ganho equivalente a 1,8 milhões de caixas de papelão para transporte;
redução do transporte de 3.228 paletes e de 72 contêineres por ano para o transporte de produtos para os Estados Unidos e Canadá devido a redução da embalagem;
redução das emissões de CO2 devido à menor quantidade de resíduo de celulose no pós-consumo pela degradando nos aterros.
Outras alterações:
redução de 2.038 toneladas por ano de material em perdas no processo de produção;
redução de 1.192.000 kWh por ano de energia no processo de produção;
reciclagem de 50 toneladas por ano de resíduos de papel siliconado que deixaram de ser encaminhados para aterros industriais;
redução de 11.600 km em transporte de containers de produtos no Brasil e América Latina devido a redução da embalagem;
redução das emissões de CO2 devido ao menor uso de energia no processo e transporte;